Porto Alegre, 22 de Junho de 2017

“Francisco foi claro: a renovação segue adiante”, diz Cardeal Aviz em Assembleia dos Superiores Maiores

Roma (RV) – "O Papa tem uma só palavra. Falou que a renovação segue adiante, assim será. Se alguém traiu sua confiança, o problema é de eventuais culpados. Não do Santo Padre". Com voz pacata, mas palavras claras, o Cardeal brasileiro João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, encerrou na sexta-feira (06) com sua palestra a Assembleia da CISM (Conferência Italiana dos Superiores Gerais) sobre o tema "O dinheiro deve servir para governar e não governar". Inevitável, pois, falar também das 'revelações' sobre as finanças vaticanas.

"Existem situações herdadas do passado na maneira de gerenciar o Vaticano até algumas décadas atrás. É preciso mudar. Por exemplo, em relação ao IOR (Instituto para as Obras de Religião, ou Banco Vaticano), já foi realizado um grande trabalho, porque às vezes não se conhecia nem sequer a origem ou a finalidade do dinheiro que tinham sido depositados. Mas se a Igreja quer agir seguindo o Evangelho, não pode utilizar o dinheiro que não serve para o bem do homem. O Papa já fez muito para purificar estas situações".

​Nos casos de que se fala nestes dias, porém, pareceria mais uma questão de pessoas.

"Efetivamente as pessoas podem trair a confiança, porque às vezes não percebemos que quem ocupa determinados cargos tem problemas, por assim dizer, estruturais. A Igreja terá sempre estas situações, mais o importante é não passar por cima ou escondê-las. E nós estamos com ele (o Papa), pela transparência e o valor do testemunho e da honestidade. Se há pessoas que têm comportamentos contrários aos Evangelhos, é claro que não podem ficar nestes cargos".

Nestes dias a Cism debateu o tema da relação entre consagrados e dinheiro. E o Papa afirmou na homilia em Santa Marta que é triste ver padres e bispos agarrados ao dinheiro. Como se orientar neste delicado equilíbrio?

"Papa Francisco nos exorta a rever toda esta dimensão econômico-patrimonial na Igreja e, em particular, na vida consagrada. Precisamos voltar à visão do Evangelho. Não se pode servir a dois patrões. Deus deve ter sempre o primeiro lugar. Os bens, que não são maus em si, vem em segundo lugar e devem ser possuídos e administrados com regas que não estejam em contraste com a Palavra de Jesus. Afinal, devemos voltar a acreditar mais na Providência do que a conta no banco. Isto também requer que os bens devem ser administrados com seriedade, utilizando todas as técnicas que a experiência humana sugere. Também neste aspecto há muito o que progredir".