Porto Alegre, 07 de Dezembro de 2019

Os seus escritos

Livro da Vidaescrito na sua redacção actual em 1565. Nele quer abrir-nos a sua alma e contar-nos “mui por miúdo e com clareza meus grandes pecados e ruim vida, mas os meus confessores não quiseram, antes atando-me muito neste caso” (V pról. 1). Teresa relata o seu modo de oração e os favores que Deus lhe fez (V 10-22) neste livro ao qual chamará Minha alma (Cta. 23-6-68).

Caminho de Perfeiçãomeu livrinho, como lhe chama a Madre Teresa (CC 4,3), foi redigido duas vezes (autógrafos de El Escorial e Valladolid). Nele, Teresa expõe o seu projeto de Reforma: formar pequenas comunidades de “bons amigos”, que, com a sua vida de fidelidade ao Evangelho possam ajudar a Igreja. O meio para isso é a oração, entendida como exercício de amor a Deus que se contrasta no amor ao próximo, e que implica uma atitude de desprendimento necessária para entregar-se aos demais e de menosprezo da honra, como segredo da verdadeira humildade (capítulos 5-23). Finaliza a obra com um comentário do Pai Nosso.

As Fundações, é o livro histórico por excelência da Madre Teresa, e assim se pode entender como continuação do Livro da Vida. Começa a escrevê-lo em 1573 e vai continuando na medida em que vai fundando cada convento.

Castelo Interior ou as Moradas, escrito em 1577, em apenas dois meses e no meio de conflitos e perseguições, é a obra da maturidade de Teresa. É um compêndio da sua doutrina: o mistério da graça e o mistério do pecado nos subúrbios do Castelo (M I), o ingresso na interioridade (M II), a vida de oração com todos os seus elementos: vida sacramental, litúrgica, virtudes, etc. (M III); a escalada da alma para Deus (M IV, V e VI), e o encontro definitivo com Ele, o Amado (M VII).

Contas de consciência, publicadas também com os títulos de Livro das RelaçõesRelações e MercêsRelações espirituais e Mercês. Constituem uma boa introdução aos escritos teresianos, pois oferecem uma síntese de “os tesouros de Deus depositados na alma de Teresa, em situações e momentos muito concretos da sua vida”. 

Meditações sobre os Cantares, também chamadas Conceitos do Amor de DeusNelas Teresa interpreta cinco textos do Cântico dos Cânticos, reflecte sobre a verdadeira paz que oferece o estado religioso e a falsa paz do mundo, descreve a oração de quietude e de união e os seus efeitos, fala dos desejos de sofrer por Deus e pelo próximo, e dos frutos abundantes que dão na Igreja “as almas favorecidas da união divina e desprendidas do próprio interesse”.

Exclamaçõessão 17 meditações ou orações em voz alta.

As Constituições e a Visita de Descalças são redigidas para regular a vida das carmelitas.

As Cartas são os escritos em que Teresa se expressa com mais espontaneidade. Conservam-se umas 500 dos vários milhares de cartas que escreveu.

Luis Javier Fernández Fronte