Porto Alegre, 14 de Agosto de 2020

Eclesialidade e recolhimento

A oração é apostólica e eclesial, é missionária e leva a um compromisso. Os que formam parte dos GOTs têm um profundo sentido eclesial. Sua oração se situa dentro da igreja, ao serviço da Igreja e é ajudada pela Igreja para caminhar na verdade. A consciência de pertença à Igreja é fundamental para saber que, a partir da oração, coopera-se com todos os homens, nossos irmãos, na transformação do mundo mediante nossa própria transformação interior. "É mais precioso aos olhos de Deus e da alma um pouquinho deste puro amor e mais proveitoso para a Igreja, ainda que parece não ser nada, que todas as outras obras juntas" (Cântico 29,2).

O recolhimento entendido não tanto como atitude psicológica, mas como atitude teologal, é atenção ao interior, atenção à Presença dentro. Para deixar-se recolher precisa-se de solidão. "Pôr-se em solidão e olhar dentro de si e não estranhar tão bom hóspede" (Caminho 28,2).

Nesta oração interior prima-se mais o afetivo que o intelectual ou discursivo. "Para aproveitar muito neste caminho... não está a coisa em pensar muito, senão em muito amar; e assim o que mais for útil ao despertar deste amor, isto o fazei" (4Moradas 1,7).

'Entrar', 'estar', 'olhar', 'deixar-se olhar', são verbos carregados de um especial significado. "Não os peço mais que o olheis... pois nunca tolhe o vosso Esposo os vossos olhos... Ficai atentas, porém, a não verem outra coisa senão que o olhemos" (Caminho 26,3). Trata-se de dar-se conta de um olhar à pessoa que transforma por sua vez o nosso próprio olhar para ver as pessoas, o mundo e os acontecimento a partir dos olhos de Deus. É uma chamada à contemplação. A oração nos conduz a "amar a Jesus e fazê-lo amar" (Carta 220).